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O que realmente faz um "bom" psicoterapeuta? Reflexões sobre a nossa prática

  • Foto do escritor: Leandro Monteiro
    Leandro Monteiro
  • 5 de abr.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de abr.


Muitas vezes, recebo pacientes no consultório que me perguntam o que define um bom processo terapêutico e, consequentemente, um bom psicoterapeuta. Como profissional da área, eu frequentemente me faço essa mesma pergunta. Através da minha experiência e dos estudos na área, compreendo que ser um bom psicoterapeuta envolve uma construção contínua que vai muito além de um diploma. Exige condições pessoais e técnicas que envolvem profunda disponibilidade, capacidade de escuta e muito estudo teórico.


Na minha vivência clínica, percebo que a pessoa do psicoterapeuta compõe uma variável importantíssima que intermedia as mudanças no paciente. Para a psicanálise, por exemplo, Fromm Reichmann resumia que o psicanalista é, antes de tudo, alguém que deve saber escutar. No entanto, eu garanto a vocês que essa escuta não é uma habilidade corriqueira; é uma arte que não se adquire sem uma formação adequada que engloba autoconhecimento, estudo e prática. É preciso ter um interesse genuíno pelo ser humano e por aprofundar-se no funcionamento dinâmico da mente.


Além do estudo constante, percebo que o tratamento pessoal (a terapia do próprio terapeuta) e a supervisão clínica são absolutamente fundamentais na nossa formação. É através do meu próprio tratamento pessoal que consigo conhecer o meu inconsciente, mapear as minhas limitações e evitar usar o paciente como fonte de gratificações pessoais.


O autoconhecimento proporciona uma familiarização com as nossas próprias questões inconscientes, o que facilita imensamente o exercício ético da profissão.

Por fim, noto que, aos olhos dos pacientes, a minha capacidade de lhes transmitir confiança e segurança é um dos fatores mais decisivos para que eles permaneçam no tratamento. Portanto, o que faz um bom psicoterapeuta é essa união complexa: uma sólida base teórica, o constante aprimoramento através de supervisão e análise pessoal, e o profundo respeito pelo tempo, pelos limites e pelos desejos de cada indivíduo que senta à minha frente


 
 
 

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